A Materialização da dor – Parte 1

Sentimos a dor por dentro. Vivemos o que sentimos, e por mais que possamos negar do lado de fora, negar aos outros que estamos mal, ainda sentimos e vivemos a dor por dentro.


Quando nada é feito em relação a ela, ela se transforma em dor nas costas, dor de cabeça, indigestão, mal humor… ela se transforma, mas não deixa de existir.


A dor precisa ser vivenciada em todas as suas nuances. Das mais claras às mais escuras. A dor faz parte da vida, sem ela nunca sabemos que algo não está certo em nós.


Precisamos da dor pra sermos mais fortes, resilientes e autênticos. Precisamos sentir tudo doer pra entender o que realmente importa.


A dor nos ajuda a “limpar as arestas” deixando só a parte que não dói, a parte que deve ficar, a parte que nos torna verdadeiramente nós mesmos.
É doloroso reconhecer que somos fracos, mas é libertador aprender sobre os nossos limites.


É horrivelmente desanimador ver que não somos tão resistentes quanto pensávamos, mas é curador ver que podemos cair, levantar, continuar vivos e recomeçar o caminho rumo a resistência e o fortalecimento das emoções.


A dor dói, mas fortalece quando bem administrada.


Faz bem sentir dor. O que não faz bem é negligenciar a dor.


Faz bem trabalhar a dor até superá-la. O que não faz bem é achar que não tornar a dor algo físico, material e externo vai fazer com que ela passe logo, afinal ninguém tem nada a ver com os nossos problemas (o que é uma grande farsa e ao mesmo tempo uma grande verdade).


A dor existe pra nos manter vivos e seguros. Mas isso não significa que precisamos sentir dor o tempo todo.


O processo de cura começa quando reconhecemos que a dor está ali, depois disso reconhecemos o motivo da dor.


E qual é esse motivo? É sensato? É plausível? É irrelevante? Não, ele nunca é irrelevante, mas também não significa que será plausível.


Por favor, viva a sua dor! Viva o luto de perder parte importante da sua vida, mas também viva a alegria de colocar algo vívido e lindo no lugar.


Por favor, viva a sua dor! Viva a desgraça que é chorar por um tempo que nunca irá voltar, mas se regozije no fato de poder escrever uma nova história diferente ou até igual, mas nova em suas nuances.


Por favor, não esconda a sua dor! Ela não vai sumir em um passe de mágica, mas vai enfraquecendo conforme ela vem à luz.


Por favor, fale da sua dor! Quando denunciada ela perde seu poder.


Por favor, não deixe a dor levar sua vida embora! Não existe dor maior do que perder sua vida por não encontrar um propósito. Ele existe, eu sei! Te garanto isso!


Por favor, encontre o seu lugar no mundo. Ele existe!
Continua…

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