A Materialização da dor – Parte 2

Na Parte 1 nós falamos sobre a importância de identificar e vivenciar a sua dor em todas as nuances que ela tem. Na parte 2 iremos falar sobre como fazer isso.


A dor fez e sempre fará parte da nossa vida. Não importa em que fase da vida você esteja neste momento.


É necessário que a dor venha de dentro da sua mente para fora do seu corpo antes que ela se transforme em dor de cabeça, dor nas costas, dor no estômago..


Faça algo com a dor antes que ela faça algo com você!


Parece estranho dizer isso, e eu sei o quanto de energia é necessário dispender para que isso aconteça, mas olha, é possível.


Depois que entendi que estava em depressão eu fiz o caminho de volta: larguei tudo na cidade onde eu morava, larguei um rapaz que eu estava “namorando”, deixei os “amigos” para trás e voltei para a casa de minha mãe em minha cidade natal com uma mão na frente e outra atrás.


Procurei uma terapeuta (que foi maravilhosa!) e durante a terapia entendi que precisava viver a depressão e a dor que a causou até o limite, mas sem que isso custasse a minha vida..


Comecei a me esforçar para comer melhor, andar mais, levantar da cama mais cedo e principalmente: me esforçar para lutar pela minha vida e pelas coisas que eu acredito.


O passo mais relevante que dei foi ter ingressado em uma academia de artes marciais e ter começado a treinar Muay Thai.


Nossa, que coisa difícil e penosa foi essa..


No primeiro dia eu não conseguia andar ou me mexer, mas eu via que a limitação externa a exatamente igual a interna.


Por dentro eu não conseguia sentir.


Eu tinha feito tanto esforço pra negar o que estava acontecendo dentro de mim que fiquei engessada, dolorida e impedida de ser resiliente.
Na segunda semana eu já conseguia dar uns socos melhores e uns chutes mais altos.


Era possível ver no tatame toda a minha luta para me manter viva em meio a dor da depressão.


Isso só me deu mais vontade de continuar lutando e me exercitando.
Continua sendo difícil ter a disciplina de ir treinar 3 vezes por semana, mas aqui dentro de mim eu já não sou mais tão engessada.


Coloquei minha dor naquele tatame e naquela luva e isso me ajudou a viver a minha dor a ponto de minar ela.


Confesso que a dor não acabou, mas diminuiu drasticamente. Isso aconteceu porque eu percebi que eu era mais capaz do que eu conseguia imaginar.


Eu tenho lutado pela minha vida e vivenciado a minha dor, e isso tem me tornado cada vez mais eu e me dado a identidade que me pertence.


Eu sou uma lutadora que sofre, mas que não fica mais com o rosto no chão.
Vale a pena dar um nome a sua dor, vale a pena aceitar que ela existe ao invés de fugir dela.


Ninguém é perfeito, todos sofrem, a diferença está justamente no que fazem com o sofrimento.


Hoje o meu sofrimento se chama tatame e eu tento vencê-lo todos os dias.

Qual é o nome da sua dor?

Já materializou ela hoje?

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