Depressão – como eu entrei e saí dela

Oi, tudo bom com você?


Esse foi o momento mais importante que eu vivi até hoje. Foi o que me fez entender que existe mais do que eu sou capaz de imaginar. Não foi fácil escrever esse texto, mas foi muito necessário.


Leia até o final e me diga se já passou por isso ou está passando. Podemos nos ajudar e permitir que das nossas feridas saiam poder para curar.
Hoje eu fiz um exercício de autoconhecimento muito estranho e ao mesmo tempo profundo e revelador.


Eu fiz uma linha do tempo da minha vida!


Essa foi a coisa mais estranha que eu já fiz nesse meu processo de recuperação.


Eu coloquei num papel todos os anos desde 1994 até 2018 e fui anotando as coisas que eu me lembrava de que ocorreram nessas datas e que mais me marcaram.


Percebi que os acontecimentos que mais me marcaram foram justamente os que deram início ao meu processo destrutivo de depressão.


Eu me dei conta que não estava no meu “normal” quando eu havia começado o meu primeiro relacionamento aos 17 anos por medo de ficar sozinha e ninguém gostar de mim.


Um rapaz apareceu me dizendo que eu era linda e que gostava de mim do jeito que eu era logo pensei: “jamais alguém gostou de mim a ponto de me dizer e é claro que nunca mais alguém vai gostar. Eu preciso gostar dele também e a gente precisa ficar junto”.


Depois disso foram 11 meses de um relacionamento sem amor e extremamente abusivo.


Nos anos seguintes tive mais dois relacionamentos: um que era, na verdade, uma grande amizade e não um namoro, e outro onde eu me apaixonei perdidamente e loucamente (loucamente, MESMO!).


Nesse relacionamento eu fiz coisas que achava que jamais faria.


Usei pessoas, menti, me anulei e o pior de tudo: permiti que ele me transformasse em pedaços pra que fizesse o que quisesse de mim, da forma que quisesse e quando quisesse. Tudo isso enquanto estava comigo e mais um número de mulheres que eu não sei nem dizer…


A depressão chegou justamente por causa dos buracos que a carência tinha me deixado. A carência pode nos destruir e nos transformar nos nossos piores pesadelos. A carência nos transforma em monstros!


Quando algumas pessoas descobriram o que fazíamos, o rapaz simplesmente me descartou como se nada tivesse acontecido e quatro meses depois começou a namorar uma amiga de infância.


Tudo isso enquanto eu tive que recolher os pedaços que consegui encontrar com a ajuda de duas amigas que me seguraram, cada uma de um lado, enquanto eu tentava ficar de pé novamente morando em uma cidade que eu quase não conhecia, só eu e a Zoe.


Tinha dias, às vezes até semanas, em que eu não via e não conversava com ninguém. Tentava sair com alguns conhecidos da igreja que sabiam da minha situação, mas todos estavam, na maioria das vezes, muito ocupados.
Foi aí que eu procurei um aplicativo desses de conhecer pessoas (calma, não fui para o Tinder hahah).


Eu tinha visto uma publi num vídeo de um canal cristão sobre esse app que você entrava pra conversar com pessoas de todos os tipos e eu estava desesperada para conseguir conversar com alguém. Isso era tudo o que eu queria fazer: conversar com alguém.


Só que eu estava frágil e quebrada demais pra perceber o que estava mesmo acontecendo ali.


Aquilo era, basicamente, um mercado de pessoas expostas em vitrines procurando por relacionamentos de uma noite ou duas..


Conheci um rapaz e começamos a conversar. Ele morava perto da minha casa. Começamos a nos ver e em apenas 15 dias, por carência e medo de ficar só novamente, eu deixei que ele subjugasse todo o meu passado e o meu presente enquanto me menosprezava e me tratava como um step.
Quando outras pessoas não davam a ele o que ele queria, ele vinha correndo saber de mim. Isso tudo durou um mês.


Foi então que eu me dei conta da depressão totalmente.


Foi quando eu percebi que as pessoas ao meu redor não me queriam pelo o que eu era e sim pelo o que eu podia proporcionar, não me permitiam viver alguns dos sonhos que sempre tinha e o afeto e carinho eram ausentes em todo momento.Foi aí que eu parei de ver sentido na minha vida e comecei a pensar que a vida de todos seria melhor sem mim, eu era um estorvo.


Tentei o suicídio sozinha em casa numa noite. Tentei pensar em alguém para ligar e pedir socorro, não tinha ninguém.


Eu queria que a dor acabasse, não a minha vida.


Mas quando eu vi que não tinha ninguém com quem contar eu comecei a querer que a minha vida acabasse também.


Clamei por socorro a Deus e ele me ouviu.


A grande maioria de vocês sabe que eu sou cristã, mas no período em que eu só queria que tudo acabasse eu não conseguia acreditar que Jesus realmente me amava e que ele estava comigo, mas nesse dia de vida ou morte eu percebi que ele estava ali.


Eu gritei, chorando muito: se você me deu uma vida é porque você vê sentido nela, mas eu não vejo. Se você me quer viva, me mostra que sentido é esse e me ajuda a viver!


Nesse momento eu senti um abraço me envolvendo de forma muito terna e comecei a tremer no meio do choro e dos soluços.


Eu larguei a faca e fui tomada de uma sensação de aconchego que nunca vou ser capaz de explicar. (Se você não acredita, tudo bem. Eu realmente vivi isso e jamais vou me esquecer do que foi esse dia.)


Consegui dormir.


No dia seguinte eu fui cheia de coragem para tomar uma atitude sobre tudo isso.


Na época eu ainda estava fazendo algumas matérias da faculdade de engenharia civil.


Liguei para minha mãe, chorando, e contei o que tinha acontecido na noite anterior, disse que iria largar a faculdade e que voltaria pra casa em Bertioga, lugar onde cresci.


Mandei o rapaz que eu estava vendo ir pastar e disse que estava indo embora e que nunca mais queria ele perto de mim de novo, nem mesmo nas redes sociais.


Larguei TUDO por lá e voltei correndo.


Foi difícil demais levantar da cama nos primeiros dias aqui, mas eu fui tentando.


Comecei a fazer terapia e no meio disso retomei meu blog pra compartilhar como eu me sentia.


Encontrei a Igreja Presbiteriana de Bertioga e fiz amigos incríveis lá, entendi o que é viver em amor e o significado de “família em Cristo”.


Comecei a lutar Muay Thai e isso foi muito definitivo para a minha recuperação acontecer rápido, pois eu via ali, no tatame, de forma externa, as dificuldades que eu precisava vencer e superar dentro de mim!


Já se passaram quase 6 meses desde o dia em que eu quase perdi minha vida e renasci.


É muito provável que você não entenda o motivo de eu compartilhar isso aqui com você, mas a verdade é que eu aprendi algo valioso que quero compartilhar: existe sentido na vida. Existe amor, existe carinho e existe algo além da solidão.


Tudo começa a fazer mais sentido quando olhamos para a nossa vida como um todo e percebemos quem somos de alguma forma.


Daí começamos a ver onde queremos chegar. Isso acende uma faísca em nós capaz de incendiar uma floresta inteira.


Aprendi, também, que a dor é uma parte necessária da vida e que ela não é um monstro quando tratada da forma certa.


Aprendi a valorizar desde o sorriso de uma criança até os sacrifícios que minha mãe fez para que eu tivesse uma boa vida.


Ainda estou aprendendo algumas coisas e ainda tenho dias de luta contra a depressão, mas hoje eu posso dizer que venci mais um dia.

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