O medo é cult

Texto escrito por Lucas Felix – e-mail: felixlvmf@gmail.com

Afirmo isso sem preocupações. O medo é uma ferramenta de entretenimento em filmes, séries e livros.

Vemos explosões de filmes de terror a todo momento, sejam sobrenaturais ou ao mais clássicos do gênero slasher.

Também temos os instrumentos de tortura moderno que geram medo por diversão. Isso, exatamente!

Estou falando de montanhas-russas e quaisquer outros brinquedos de parque de diversão que tenham por finalidade colocar você de frente com o terror da queda.

            É inegável que o medo é parte do nosso dia-a-dia.

Principalmente quando entendemos a função importantíssima dele para nossa sobrevivência.

É o medo que nos faz perceber situações de risco. Ele nos prepara para a fugir ou lutar e, não raramente, nos deixa imóveis. Bom, pelo menos é assim que deveria ser.¹

            Nosso medo também pode ser um inimigo.

O sistema de defesa do nosso cérebro as vezes ataca em momentos inapropriados, como antes de uma importante reunião, na frente dos colegas em uma apresentação de fim de mês ou até mesmo quando estamos querendo falar coisas importantes para uma pessoa especial.

Mas você pode dizer: “Ah, mas eu não estou com medo, apenas fiquei paralisado, balbuciando, suando frio, com a mente confusa querendo fugir dali”, bom, você está certo e acabou de me descrever algumas formas de como o medo se manifesta. Sim, ansiedade é uma das consequências do medo.

O medo, em si, é um sentimento que nos traz a possibilidade de reação. Seja ela a de fugir, ficar congelado ou de lutar. Não estou aqui para dizer “não tenha medo”, mas sim “use esse medo ao seu favor”.

            Como conversamos no nosso último encontro, no texto sobre o Aforismo de Delfos, vimos a importância da inteligência emocional neste momento.

Não apenas de entender o que se sente e como se sentirá em determinadas situações, é possível também entender como reagir a isso.

            Nas palavras de dois grandes psicólogos que estudaram e aprofundaram o tema da Inteligência Emocional, Peter Salovey e John Mayer: “Inteligência Emocional é a capacidade de perceber e exprimir a emoção, assimilá-la ao pensamento, compreender e raciocinar com ela, e saber regulá-la em si próprio e nos outros”²

      Aprendemos que com a Inteligência Emocional nós podemos usar nossos sentimentos ao nosso favor. Saber lidar com eles.

Nossos sentimentos são mais rápidos que nossa racionalidade e por isso é importante entendermos como os sentimentos tem funcionado para que não fiquemos a mercê deles.

            Não é ruim sentir medo, raiva, alegria ou tristeza. Todos estes sentimentos são parte do nosso sistema que funcionam perfeitamente para que possamos nos manter vivos e saudáveis.

O problema é quando somos dominados por essas sensações. Quando perdemos a noção do que fazemos pois estamos à mercê do que sentimos.

            Sem dúvida o maior agravante é o medo.

Ele aparece com mais frequência que a alegria. Não acredita? Sempre que você se sentir ansioso, pode contar, você está com medo de algo.

Seu cérebro acha que você está em uma situação desagradável e de perigo iminente.

            Mas não se esqueça, o medo é cult. Como ele pode ser usado no entretenimento ele pode ser usado para melhorar seu desempenho.

O medo é a necessidade de se manter seguro superando um obstáculo. Sabe aquela reunião importante? Com esse sentimento você pode “lutar e vencer” esse desafio.

            Conheça seu sentimento, suas emoções e sensações. Conheça o medo e use-o. Aprenda a discernir e entender o que sente.

Não deixe uma emoção tomar o controle e fazer de você irracional. Mas use-as como ferramenta para chegar ao seu objetivo, suas emoções são suas armas.

¹ https://brasilescola.uol.com.br/psicologia/medo.htm

² https://www.napratica.org.br/o-que-e-inteligencia-emocional/

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